"Árvores do Alentejo"

 

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas

Os trágicos perfis no horizonte!

 

 

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram,
Em vão, remédio para tanta mágoa!

 

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:

- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

 

 

 

Autor: Florbela Espanca (1894-1930)

Editado por: niocoladavid

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