Rosa, Rosa de Amor VIII

 

VIII

 

                        (Serenata)

 

Pela vasta noite indolente

Voga um perfume estranho.

Eu sonho... E aspiro o vago aroma ausente

Do teu cabelo castanho.

 

Pela vasta noite tranquila

Pairam, longe, as estrelas.

Eu sonho... O teu olhar também cintila

Assim, tão longe como elas.

 

Pela vasta noite povoada

De rumores e arquejos

Eu sonho... É tua voz, entrecortada

De suspiros e de beijos.

 

Pela vasta noite sem termo,

Que deserto sombrio!

Eu sonho... Inda é mais triste, inda é mais ermo

O nosso leito vazio.

 

Pela vasta noite que finda

Sobe o dia risonho...

E eu cerro os olhos para ver-te ainda,

Ainda e sempre, em meu sonho.


Autor: Vicente de Carvalho (1866-1924)
Editado por: nicoladavid

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