Pudor

 

Quando fores sentindo que o fulgor

Do teu Ser se corrompe e a adolescência

Do teu gênio desmaia e perde a cor,

Entre penumbras e deliquescência,

 

Faze a tua sagrada penitência,

Fecha-te num silêncio superior,

Mas não mostres a tua decadência

Ao mundo que assistiu teu esplendor!

 

Foge de tudo para o teu nadir!

Poupa ao prazer dos homens o teu drama!

Que é mesmo triste para os olhos ver

 

E assistir, sobre o mesmo panorama,

A alegoria matinal subir

E a ronda dos crepúsculos descer...

Autor: Raul de Leoni (1895-1926)
Editado por: nicoladavid

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