O Homem desperta

 

O Homem desperta e sai cada alvorada

Para o acaso das cousas... e, à saída,

Leva uma crença vaga, indefinida,

De achar o Ideal nalguma encruzilhada...

 

As horas morrem sobre as horas... Nada!

E ao poente, o Homem, com a sombra recolhida

Volta, pensando: "Se o Ideal da Vida

Não vejo hoje, virá na outra jornada...

 

Ontem, hoje, amanhã, depois, e, assim,

Mais ele avança, mais distante é o fim,

Mais se afasta o horizonte pela esfera;

 

E a Vida passa... efêmera e vazia:

Um adiantamento eterno que se espera,

Numa eterna esperança que se adia...


Autor: Raul de Leoni (1896-1926)
Editado por: nicoladavid

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