Aos que sonham

 

Não se pode sonhar impunemente

um grande sonho pelo mundo afora,

porque o veneno humano não demora

em corrompê-lo na íntima semente...

 

Olhando no alto a árvore excelente,

que os frutos de ouro esplêndidos enflora,

o sonhador não vê, e até ignora

a cilada rasteira da serpente.

 

Queres sonhar? Defende-te em segredo,

e lembra, a cada instante e a cada dia,

o que sempre acontece e aconteceu:

 

Prometeu e o abutre no rochedo,

o calvário do filho de Maria

e a cicuta que Sócrates bebeu!


Autor: Raul de Leoni (1896-1926)

Editado por: nicoladavid

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