Alma em teu delirante desalinho

 

Alma em teu delirante desalinho,

Crês que te moves espontaneamente,

Quando és na Vida um simples redemoinho,

Formado dos encontros da torrente!
 

Moves-te porque ficas no caminho

Por onde as cousas passam, diariamente:

Não é o Moinho que anda, é a água corrente

Que faz, passando, circular o Moinho...

 

Por isso, deves sempre conservar-te

Nas confluências do Mundo errante e vário.

Entre forças que vem de toda parte.

 

Do contrário, serás, no isolamento,

A espiral, cujo giro imaginário

É apenas a Ilusão do Movimento!...

Autor: Raul de Leoni (1895-1926)
Editado por: nicoladavid

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