"O Sol"

 
Ai  da sorte de quem vive
N a cegueira, em que eu vivi!
Tem as angústias que eu tive,
N'uma prisão onde estive,
D'onde, há momentos, fugi.

Que pesar não ver o dia,
Ver a treva sempre igual!
Abria os olhos, abria...
Mas a noite da enxovia
Tem a cor d'um funeral!

Doce Lua lacrimosa,
Encontramo-nos, por fim!
N'um tremor de nebulosa,
A tua luz dolorosa

Veio baixando até mim!

 

E ficou, num sonho vago,
A embalar todo o meu ser;
E eu boiei, naquele afago,
Como a pétala no lago,
Sem cuidar onde vai ter!

Era o dia apetecido,

No horizonte, a começar!
Já não pasmo, não duvido:

Anda o Sol repercutido,
Nas carícias do Luar!

Sê piedosa! Continua

A fitar quem te quer bem!
Neste brilho, que flutua,
Amo o Sol, amando a Lua...

Ele… é Pai! E tu és Mãe!

 

 

Autor: Queiroz Ribeiro (1860-1928)
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.
 
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