Pouco a pouco a letífera Doença

 

Pouco a pouco a letífera Doença
Dirige para mim trémulos passos;
Eis seus caídos, macilentos braços,
Eis a sua terrífica presença.

Virá pronunciar final sentença,
Em meu rosto cravando os olhos baços,
Virá romper-me à vida os ténues laços
A foice, contra a qual não há defensa.

Oh! Vem, deidade horrenda, irmã da Morte,
Vem, que esta alma, avezada a mil conflitos,
Não se assombra do teu, bem que mais forte.

Mas ah! Mandando ao Céu meus ais contritos
Espero que primeiro que o teu corte
Me acabe viva dor dos meus delitos.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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