Soneto 60

A beleza dos sonetos de Shakespeare reside acima de tudo
na sua universalidade inimitável, desenhada numa fórmula
perfeita e susceptível de infinitas variantes.

Como as ondas para a arenosa riba,
Se apressam p'ra o seu fim nossos instantes
Galgando cada um o precedente,
Um após outro p'ra diante correm.

Nascemos, o esplendor do dia vem,
E em plena glória da maturidade,
Ofuscam nossa luz cruéis eclipses,
O que o Tempo nos deu, agora rouba.

Da juventude corrompendo as graças,
Rasga sulcos na fronte que foi bela,
Ceva-se nos primores da natureza,
Em tudo agora manda a sua foice.

Mas apesar da sua mão cruel,
Tu viverás p'ra sempre nos meus versos
.


Autor: Willian Shakespeare (1564-1616)
Editado por: nicoladavid

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