Liberdade

 

De qual direito põem pássaros em gaiolas?

Qual direito tiram estes cantores de pomares,
às fontes, à aurora, à nuvem, os ventos?
De qual direito voam a vida a estes vivos?
Homem, crê que Deus, este pai, faça nascer
A asa para dependura-lo ao prego da tua janela?
Não pode viver feliz e contente sem aquilo?
O que é que por conseguinte puseram todos os inocentes lá?
Para ser presos com o seu ninho e a sua fêmea?

Quem como sabe o seu destino ao nosso destino mistura-se?
Quem sabe se o verdilhão que rouba-se aos ramos,
Quem sabe se a desgraça que faz-se aos animais
E se a servidão inútil dos animais
Não se resolvem em Néro’s sobre as nossas cabeças?
Quem sabe se o constrangimento não sai cabrestos?
Oh! das nossas acções que sabe as repercussões,
E quais pretos cruzamentos têm basicamente do mistério
As tanto coisas como faz-se rindo sobre a terra?
Quando fecha a cadeado sob uma rede de ferro
Todos os bebedores de azul-feitos para se intoxicar de ar,
Todos os nadadores encantados da luz azul,
Pintasilgo, tendilhão, pardal honesto, abana cauda,
Crêem que o bocal sangrento destes passarinhos
Não toca ao homem chocando estas advocacias?
Tomam guarda à sombria equidade.

Tomam guarda!
Por toda a parte onde chora e grita um prisioneiro, Deus olha.
Não compreendem que são maldosos?
Qualquer estes à fechados dão a chave dos campos!
Aos campos roussinóis, os campos as andorinhas;
As almas expiam qualquer que faz-se às asas.
A balança invisível tem duas bandejas escuras.

Tomam guarda aos calabouços dos quais orna os vossos muros!
Latadas aos filhos de ouro nascem pretas as grelhas;
Aviário sinistro é mãe bastilhas.

Respeito suaves aos transeuntes dos ares, os prados, as águas!
Toda a liberdade que toma-se à pássaros
O destino justo e duro retoma-o à homens.

Temos tiranos porque são.

Queres ser livre, homem? e qual direito, tendo
você o prisioneiro, este testemunho assustador
que crê-se sem defesa é defendido pela sombra.
Toda a imensidade sobre este pobre pássaro sombrio
Inclina-se, e sacrifica-o expiação.

Admiro-o, opressivo, gritante: opressão!
O destino tem-no tempo a tua demência enfrenta
Este presidiário que sobre você lança uma sombra de escravo
E a gaiola que pendura ao limiar da tua casa
Vive, canta, e faz sair de terra a prisão.

 

 

Autor: Victor Hugo (1802-1855)
Editado por: nicoladavid

 

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