Íamos ao pomar colher rubras cerejas

 

Íamos ao pomar colher rubras cerejas.
Com seus formosos braços, mármore de Paros,
Ela subia a árvore e curvava um ramo.
Tremulavam na brisa as folhas. O pescoço
Ondulava-lhe branco, entre a sombra e o sol.
Colhiam os seus breves dedos os vermelhos
Frutos, iguais ao fogo dum arbusto em chamas.
Eu subia atrás dela. As pernas descobrindo,
Ao meu olhar ardente respondia: «Cala-te!»
Como Diana esquiva, em canções no bosque,
O fruto segurando nos formosos dentes,
A saborosa boca para mim voltava.
Em risos, minha boca vinha-se poisar
E, a cereja soltando, lhe tomava o beijo.


Autor: Victor Hugo (1802-1855)
Editado por: nicoladavid

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