Amor Secreto

 

O você onde mim vem o meu pensamento,
Seja orgulhoso na frente do Senhor!
Aumenta a tua cabeça baixada,
O você onde mim vem a minha felicidade!

Quando atravesso esta milha
Quem nos separa, nas noites,
A tua pátria estrelada e azul
Fibra de seda artificial aos meus olhos deslumbrados.

É a hora em que cem lâmpadas em chamas
Brilham celestiais aos tectos;
A hora em que os astros e as almas
Trocam olhares profundos.

Sondo então o teu destino,
Penso em você, que vem dos céus,
A você, grande alma encarcerada,
A você, grande coração misterioso!

Nobre mulher, rainha dominada,
Sonho a este destino invejoso
Quem põe tanto de sombra na tua vida,
A tanta luz nos teus olhos

Eu, conheço-a muito inteira
E contemplo-a de joelhos;
Mas em redor de tanta luz
Porque tanta sombra, o destino ciumento?

Deus deu-lhe tudo, fora de esmolas
Que faz muito na sua bondade;
O céu que lhe devia um trono
Recusou-lhe a liberdade.

Sim, a tua asa, é o único bosque,
Que o ar feliz reclama impotentemente,
Quebra-se às advocacias de uma gaiola,
Pobre grande alma, pássaro divino!

Bonito anjo, um jugo tem-no cativo,
Cem prejuízos são a tua prisão,
E a tua atitude pensativa,
Infelizmente, triste a tua casa.

Sentes-te tomada pelo mundo
Quem você espia, injusto e mau.
Na tua amargura profunda
Frequentemente dizes: se pudesse!

Mas o amor em segredo dá-lhe
Que tem de puro e beleza,
E a sua invisível coroa,
E a sua invisível tocha!

Tocha que se esconde ao desejo,
Quem brilha, esplêndido e clandestino,
E que não ilumina da vida
Que o interior do destino.

O amor dá-lhe, a suave mulher,
Estes prazeres onde nada não é amargo,
E estes olhares onde toda a alma
Aparece só em um relâmpago,

E o sorriso, e acaricia-o,
A entrevista furtiva e encantadora,
E a melancólica embriaguez
De uma efusão inefável,

E os traços amados de um rosto,
_ sombra que um gostar e que vós seguir,
Que vê-se o dia na nuvem,
Que vê-se no sonho a noite,

E os extasses solitários,
Quando ambos os sentamo-nos
Sob os ramos cheios de mistérios
Basicamente das madeiras cheias de raios;

Puros transportes que a multidão ignora,
E que fazem que tem-se felizes uns dias
Enquanto poder-se esperar ainda
Das quais recorda-se sempre.

Vai, seca o teu bonito olho que chora,
O teu destino deserdados.
A tua parte é agora mais melhor,
Não lhe tem pena de, o a minha beleza!

Falta é bem pouca coisa
Quando está-se à primavera dourada,


E quando vive-se como a rosa
De perfumes, sombra e sol.

Deixa por conseguinte, a suave musa,
Sem estar a lamentar só um dia,
Que o destino você recusa
Para quem você dá o amor!

 

Autor: Victor Hugo (1802-1855)
Editado por: nicoladavid

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