O Vampiro


“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça.  
No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.”
Confúcio (551-479 A.C.)



Se podes conservar teu sangue frio
Diante do que te acusa, a desvairar;
Se, ainda quando suspeitem de teu brio,
De tua fé, podes em ti confiar;
Se podes esperar, sem te cansares
E sem de ti perderes a noção;
Se, caluniado, em vez de caluniares,
Compensares o mal com o teu perdão;


Se podes tu sonhar; se teu intento
Fazes por algum dia realizar,
Se não buscas impor teu pensamento;
Se o mesmo és no prazer e no penar;
Se podes tu ouvir o que a gente
Demolidora e má nos faz ouvir,
E após, pela verdade, concisamente,
Lutas até fazê-la ressurgir;


Se podes tu tentar sorte insegura
E, perdido uma vez e uma outra mais,
Tornas de novo ao lance da aventura
Sem uma afronta proferir jamais;
Se podes tu fazer que tu obedeçam
Os teus nervos, e o próprio coração,
Sem que, por mais exaustos que pareçam,
Ao teu desígnio jamais digam "NÃO" !;


Se podes, com igual solicitude,
As multidões ouvir, como a teu Rei,
E sem que um só te imponha uma atitude
Conte contigo toda a humana grei;
Se podes, da existência a que dás brilho,
Aproveitar todo o minuto seu,
Sem desperdício algum, então, meu filho,
És um homem de bem e o mundo é teu !


Autor: Rudyard Kipling (1865-1936)
Editado por: nicoladavid


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