Talvez que eu morra na praia

 

Talvez que eu morra na praia
Cercada em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho.....


Talvez que eu morra na rua
- envia por mim de repente
Em noite fria, sem lua
Irmão das pedras da rua
Pisadas por toda a gente!


Talvez que eu morra entre grades
No meio de uma prisão
Porque o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu coração.


Talvez que eu morra dum tiro
Castigo de algum desejo.
E que, a mercê desse tiro,
O meu último suspiro
Seja o meu primeiro beijo
Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As mãos em cruz sobre o peito
Das mãos de deus tudo aceito
Mas que eu morra em Portugal!

 

Autor: Pedro Homem de Melo (1904-1984)
Editado por: nicoladavid

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