Não choreis nunca os mortos esquecidos

 

Não choreis nunca os mortos esquecidos

Na funda escuridão das sepulturas.

Deixai crescer, à solta, as ervas duras

Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

 

E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,

Agonizar... Guardai, longe, as doçuras

Das vossas orações, calmas e puras,

Para os que vivem, mudos e vencidos.

 

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,

Da multidão sem fim dos que são vivos,

Dos tristes que não podem esquecer.

 

E, ao meditar, então, na paz da Morte,

Vereis, talvez, como é suave a sorte

Daqueles que deixaram de sofrer.

 

Autor: Pedro Homem de Mello, (1904-1984)

Editado por: nicoladavid

Comments