"Cuidei Que Tinha Morrido"


Ao passar pelo ribeiro
onde às vezes me debruço,
fitou-me alguém, corpo inteiro
dobrado como um soluço.

Que palidez nesse rosto
sob o lençol de luar!
Tal e qual quem, ao sol-posto,
estivesse a agonizar.

Aquelas pupilas baças
acaso seriam minhas?
Meu amor, quando me enlaças
porventura as adivinhas?

Deram-me então, por conselho,
tirar de mim o sentido...
Mas depois, vendo-me ao espelho,
cuidei que tinha morrido!

 

Autor: Pedro Homem de Melo (1904-1984)
Editado por: nicoladavid



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