Carta de Amor


(Prémio Antero de Quental (Poesia)
e menção da Academia das Ciências
Porto, 1953)

 

 

Mandei-te versos meus onde pusera,
No desejo subtil de te encontrar,
Por trás de uma canção de primavera,
A minha alma a sangrar.

Por sorte, naquele dia,
Toda a suave alegria
De viver, de rir, de amar,
Espalhara-se na luz, espalhara-se no ar...

E o meu canto, e os meus ais
Não ouviste sequer!
A culpa não tua que és mulher,
A culpa foi do céu, azul demais...

Autor: Pedro Homem de Melo (1904-1984) in Segredo
Editado por: nicoladavid


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