Para Deleite Da Sua Vaidade

 

- Ele gosta de mim, sei que gosta de mim.
É claro que costumo lisonjeá-lo de uma maneira horrível.
Tenho um estranho prazer em dizer-lhe certas coisas,
mesmo sabendo que vou arrepender-me de as ter dito.
Em regra, ele é encantador comigo,
e ficamos no estúdio a falar de mil e uma coisas.
Às vezes, porém, ele é terrivelmente irreflectido
e parece ter um enorme prazer em me fazer sofrer.
E então, sinto que entreguei toda a minha alma a alguém
que a trata como se fosse uma flor para colocar na lapela,
um ornamento para deleite da sua vaidade,
um enfeite para um dia de Verão.

Autor: Oscar Wilde (1854-1900)

Editado por: nicoladavid

Comments