O Ferido sem ter cura perecia

 

O Ferido sem ter cura perecia

o forte e duro Télefo temido,

por aquele que n'água foi metido,

a quem ferro nenhum cortar podia.

 

Ao Apolíneo Oráculo pedia

conselho para ser restituído;

respondeu que tornasse a ser ferido

por quem o já ferira, e sararia.

 

Assi, Senhora, quer minha ventura

que, ferido de ver vos, claramente

com vos tornar a ver Amor me cura.

 

Mas é tão doce vossa fermosura,

que fico como hidrópico doente,

que co beber lhe cresce mor secura.

 

Autor: Luis de Camões (1524-1580)

Editado por: nicoladavid

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