Lá a saudosa Aurora destoucava

 

Lá a saudosa Aurora destoucava

os seus cabelos d'ouro delicados,

e as flores, nos campos esmaltados,

do cristalino orvalho borrifava;

 

quando o fermoso gado se espalhava

de Sílvio e de Laurente pelos prados;

pastores ambos, e ambos apartados,

de quem o mesmo Amor não se apartava.

 

Com verdadeiras lágrimas, Laurente,

—Não sei (dizia) ó Ninfa delicada,

porque não morre já quem vive ausente,

pois a vida sem ti não presta nada?

 

Responde Sílvio:—Amor não o consente,

que ofende as esperanças da tornada.

 

Autor: Luis de Camões (1524-1580)

Editado por: nicoladavid

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