Doce contentamento já passado

 

Doce contentamento já passado,

em que todo meu bem já consistia,

quem vos levou de minha companhia

e me deixou de vós tão apartado?

 

Quem cuidou que se visse neste estado

naquelas breves horas de alegria,

quando minha ventura consentia

que de enganos vivesse meu cuidado?

 

Fortuna minha foi, cruel e dura,

aquela que causou meu perdimento,

com a qual ninguém pode ter cautela.

 

Nem se engane nenhüa criatura,

que não pode nenhum impedimento

fugir do que [lhe] ordena sua estrela.


Autor: Luis Vaz de Camões (1524-1580)

Editado por: nicoladavid

 

 

 

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