Tudo quanto penso

 

Tudo quanto penso,

Tudo quanto sou

É um deserto imenso

Onde nem eu estou.

Extensão parada

Sem nada a estar ali,

Areia peneirada

Vou dar-lhe a ferroada

Da vida que vivi.

 

 

Autor: Fernando Pessoa (1888-1935)
Editado por: nicoladavid

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