Quem Me Dera Que Eu Fosse O Pó Da Estrada

 

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada 
E que os pés dos pobres me estivessem pisando... 

Quem me dera que eu fosse os rios que correm 
E que as lavadeiras estivessem à minha beira... 

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio 
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . . 

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro 
E que ele me batesse e me estimasse... 

Antes isso que ser o que atravessa a vida 
Olhando para trás de si e tendo pena 

Autor: Fernando Pessoa “Alberto Caeiro” (1888-1935)
Editado por: nicoladavid

Comments