"Odes VII-IX-XII"


VII

Ponho na altiva mente o fixo esforço
Da altura, e à sorte deixo,
e a suas leis, o verso;
Que, quando é alto e régio o pensamento,
Súbdita a frase o busca
e o 'scravo ritmo o serve.

IX

Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
De rosas —
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
oroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta!
 

XII

A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço.

Tempo há para negares

Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perene

Sombra errarás absurda,

Buscando o que não deste.


Autor: Fernando Pessoa “Ricardo Reis” (1888-1935)
Editado por: nicoladavid


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