Nem da serva

 

Nem da serva humilde se o Destino esquece.

Saiba a lei o que vive.

De sua natureza murcham rosas
E prazeres se acabam.

Quem nos conhece, amigo, tais quais fomos?
Nem nós os conhecemos.

Negue-me
Negue-me tudo a sorte, menos vê-la,

Que eu, 'stóico sem dureza,
Na sentença gravada do Destino
Quero gozar as letras.

Ninguém a Outro Ama
Ninguém a outro ama, senão que ama
O que de si há nele, ou é suposto.

Nada te pese que não te amem. Sentem-te
Quem és, e és estrangeiro.

Cura de ser quem és, amam-te ou nunca.

Firme contigo, sofrerás avaro
De penas.

 

Autor: Fernando Pessoa “Ricardo Reis” (1888-1935)
Editado por: nicoladavid

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