Ditosos a quem acena

 

Ditosos a quem acena

Um lenço de despedida!

São felizes : têm pena...

Eu sofro sem pena a vida.

 

Dôo-me até onde penso,

E a dor é já de pensar,

Órfão de um sonho suspenso

Pela maré a vazar...

 

E sobe até mim, já farto

De improfícuas agonias,

No cais de onde nunca parto,

A maresia dos dias.

Autor: Fernando Pessoa (1888-1935)
Editado por: nicoladavid

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