Aos deuses uma coisa se agradeça

 

Aos deuses uma coisa se agradeça:

O sono. A vida esqueça

Já que não pode nunca ser feliz.

Por isso, com um rito definido

Encostemos a fronte ao travesseiro

E deponhamos como ante um juiz

O nosso anseio derradeiro.

 

Sim, o sono, o sossego, o não ser nada

A morte sempre ansiada

(...)

No sossego da fronte que repousa

Alheia a toda a coisa.

O apagamento, bem ou mal, de tudo.

 

Autor: Fernando Pessoa “Bernardo Soares” (1888-1935)
Editado por: nicoladavid

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