A Palidez do Dia

 

A palidez do dia é levemente dourada.

O sol de inverno faz luzir como orvalho as curvas
Dos troncos de ramos Secos.

O frio leve treme.

Desterrado da pátria antiqüíssima da minha
Crença, consolado só por pensar nos deuses,
Aqueço-me trêmulo
A outro sol do que este.

O sol que havia sobre o Parténon e a Acrópole
O que alumiava os passos lentos e graves
De Aristóteles falando.

Mas Epicuro melhor
Me fala, com a sua cariciosa voz terrestre
Tendo para os deuses uma atitude também de deus,
Sereno e vendo a vida
À distância a que está.

Autor: Fernando Pessoa “Ricardo Reis” (1888-1935)
Editado por: nicoladavid

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