A flor que és, não a que dás, eu quero

 

A flor que és, não a que dás, eu quero.

Porque me negas o que te não peço.

Tempo há para negares
Depois de teres dado.

Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perere
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.

 

Autor: Fernando Pessoa “Ricardo Reis” (1888-1935)
Editado por: nicoladavid

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