"O Palácio da Ventura"

 
 

Sonho que sou um cavaleiro andante.

Por desertos, por sóis, por noite escura, .
Paladino do amor, busco anelante

O palácio encantado da Ventura!

 

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura ...
E eis que súbito o avisto, fulgurante

 

Na sua pompa e aérea formosura!

 

Com grandes -golpes bato à porta e brado:

Eu sou o Vagabundo; o Deserdado ...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

 

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor ...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão -. e nada mais!

 

 

 

Autor: Antero de Quental (1842-1891)

Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.

Comments