Versos Inscritos Numa Taça Feita De Um Crânio


 Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito

 Vê em mim um crânio, o único que existe

 Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,

 Tudo aquilo que flui jamais é triste.

 

 Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;

 Que renuncie e terra aos ossos meus

 Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme

 Lábios mais repugnantes do que os teus.

 

 Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,

 Para ajudar os outros brilhe agora e;

 Substituto haverá mais nobre que o vinho

 Se o nosso cérebro já se perdeu?

 

 Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus

 Já tiverdes partido, uma outra gente

 Possa te redimir da terra que abraçar-te,

 E festeje com o morto e a própria rima tente.

 

 E por que não? Se as fontes geram tal tristeza

 Através da existência-curto dia-,

 Redimidas dos vermes e da argila

 Ao menos possam ter alguma serventia.

 

 

Autor: George (Lord) Byron (1788-1824)
Editado por: nicoladavid

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