Transtornos


Durante a nossa vida causamos transtornos na
       vida de muitas pessoas,
       porque somos imperfeitos.
       Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas,
       falamos sem necessidade,
       incomodamos.
       Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou                                                                              [intencionalmente.
       Mas agredimos.
       Não respeitamos o
       tempo do outro,
       a história do outro.
       Parece que o mundo gira
       em torno dos nossos desejos
       e o outro é apenas
       um detalhe.
       E, assim, vamos causando transtornos.
       Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos,                                                                       [mas em construção.
       Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando                                                                                                         [
forma.          
       O outro também está em construção e também causa                                                                                                     [transtornos.
           

       E, às vezes,
       um tijolo cai e magoa-nos.
       Outras vezes,
       é a cal ou o cimento que o  nosso rosto.
       E quando não é um,
       é outro.
       E o tempo todo nós temos que nos limpar e cuidar das                                                                                                 [feridas, assim         
       como os outros que convivem connosco
       também têm de fazer.
       Os erros dos outros,
       os meus erros.
       Os meus erros,
       os erros dos outros.
       Esta é uma conclusão essencial:
       todas as pessoas erram.
       A partir desta conclusão, chegamos a uma necessidade
       humana e cristã:
       o perdão.

       Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras.
       É compreender que os
       transtornos são muitas vezes involuntários.
       Que os erros dos outros são
       semelhantes aos meus erros e que,
       como caminhantes de uma jornada,
       é preciso olhar adiante.
       Se nos preocupamos com
       o que passou,
       com a poeira,
       com o tijolo caído,
       o horizonte deixará de ser contemplado.
       E será um desperdício.
       O convite que faço é que experimente a beleza
       do perdão.
       É um banho na alma!
       Deixa-nos leves!
       Se eu errei,
       se eu o magoei,
       se eu o julguei mal,
       desculpe-me por todos
       esses transtornos…
       Estou em construção!


Autor: Papa Francisco “Jorge Mario Bergoglio” (1936-)
Editado por: nicoladavid


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