Valsa

 

Fez tanto luar que eu pensei em teus olhos antigos

e nas tuas antigas palavras.

O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos

que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.

 

Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto

e modelou tua voz entre as algas.

 

Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege

e estudo apenas o ar e as águas.

 

Coitado de quem pôs sua esperança

nas praias fora do mundo...

 

- Os ares fogem, viram-se as água,

mesmo as pedras, com o tempo, mudam.

 

Autora: Cecília Meireles (1901-1964)
Editado por: nicoladavid

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