Tempo Celeste



Relógios certeiro:
a noiva já desce,
e está pronta e morta.

Por sombra de flores
Os carros deslizam,
as portas afastam-se.

O mundo recende,
cercado de lua
vacilante rosa.

Num grande silêncio
a terra se fecha,
e as sedas e as
pálpebras.

Dorme o pensamento.

Riram-se? Choraram?

Ninguém mais recorda.

Na parede lisa,
resta a mariposa
de asas sossegadas.

Autor: Cecília Meireles (1901-1964)
Editado por: nicoladavid

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