Por que me bates


Por que me bates com teus sinos, plágios

de uma humana cruz, calvário torto,

tu, coração vazio de apanágios,

sem esperança de nenhum conforto?

(Meu coração é gaveta de naufrágios,

de esperanças puídas no alto porto,

onde singro, sagrando em meus sufrágios

de vertigens, um mar que é natimorto.)

Porque me falas e escrutar não posso

teu nome, grito que laboro e roço

na plantação maldita que me bate,

pudesse eu, pária do meu próprio mundo,

arrancar de mim teu ser, qual imundo

dente, coração, à ponta de alicate!

Autor: Nauro Machado
Editado por: nicoladavid


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