Abre-me as portas, mãe!


Abre-me as portas, mãe, enquanto as estrelas

buscam em mim agora a treva infinda,

sem luz alguma no meu olhar a vê-las

nessa cegueira a ser da altura vinda.

Assim, mãe, invado tua noite, a sabê-las

eternamente em pó na luz que é finda

só para mim, que vou comigo pelas

manhãs nascendo todas cegas ainda.

Como fazê-las ser de novo vivas?

Como, se nunca delas fui um conviva

às vidas feitas festas para as vistas?

Para arrancá-las da morte onde as pus,

quero essa noite, ó mãe, roubada à luz

do céu que, embora cega, tu conquistas.

Autor: Nauro Machado
Editado por: nicoladavid


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