Ó tempo-vândalo


Todo o furor da vida esvai-se quando

a natureza cobra o seu direito,

e o tempo chega pelo verme andando

para mamar seu leite em outro peito.

Ó tempo-vândalo, ó furor de um mando

na assinatura desse édito feito

com toda a dor do punho mais nefando

da natureza em seu madrasto leito!

Troai dos lábios as blasfêmias hirtas

pelo alfabeto além a se extinguir,

tais os corpos trêmulos no fim,

cadáver-verbo aberto pelo crime,

embora de um Deus feito pai do hímen

dessa mulher que é mãe também de mim.

Autor: Nauro Machado
Editado por: nicoladavid


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