Denúncia

Acuso-te, Destino! 
A própria abelha às vezes se alimenta
Do mel que fabricou…
E eu leio o que escrevi
Como um notário um testamento alheio.
Esvazio o coração, cuido que me exprimi,
E vou a olhar o poço, e ele continua cheio! 

Acuso-te e protesto.
É manifesto
Que existe malvadez ou má vontade!
Com a mais humilíssima humildade,
Requeiro, peço, imploro…
Mas trago às costas esta maldição
De sofrer com razão ou sem razão,
E de não ter alívio nas lágrimas que choro!


Autor: Miguel Torga (1907-1995)
Editado por: nicoladavid

https://www.youtube.com/watch?v=4yeHKX-SvQE&feature=youtu.be


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