Uma Princesa Antiga

 
Tem a grandeza antiga e peregrina

Das mulheres da Bíblia, e da Odisseia:

Anda, fala, aparece... e se imagina

Ou Palas ou Judite ou Diana ou Rea.

 

Mas quando ao campo os passos seus destina,

Sua estatura avulta: - então é Dea:

Jove, para a espiar da azul cortina,

Deixa os deuses no Olimpo em assembleia.

 

Juno descora... E ela no cercado,

Numa das mãos erguendo os seus vestidos,

Com outra lança às aves pão cortado,

 

E vê de longe, entre os capins crescidos,

O velho boi de Homero, um boi malhado

De passo tardo e chifres retorcidos.

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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