Os Seios

 

Nunca te vejo o peito arfar de enleio,

Quando de amor, ou de prazer te ébrias,

Que não ouça lá dentro as fugidias

Aves, baixo alternando algum gorjeio...

 

Aves são, e são duas aves, creio,

Que em ti mesma nasceram, e em ti crias,

Ao arrulhar de castas melodias,

No aroma quente e ebúrneo do teu seio;

 

Têm de uns astros irmãos o movimento,

Ou de dois lírios, que balouça o vento,

O giro doce, o lânguido vaivém.

 

Oh! quem me dera ver no próprio ninho

Se brancas são, como o mais branco arminho,

Ou se asas, como as outras pombas, têm...

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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