O Mal da Vida

 

Amor, pois, é a esplêndida loucura,

E a miséria de um sol que nos invade?

Caiu alguém aos pés da formosura

Que lhe não deixe aos pés razão, vontade?

 

Este delírio vem da eternidade,

Vem de mais longe, eu sei: - quem o procura

Acha-o mais velho do que Deus: quem há-de

Fugir do mal da vida por ventura?

 

E o amor é o mal que acaba em paraíso;

E para dar-nos céus num só lampejo

Basta-lhe um pouco, um nada é-lhe preciso:

 

De sonhos d'oiro e luz calça o desejo:

E então, de dia, em rosa abre o seu riso,

E em ampla estrela, à noite, abre o seu beijo...

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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