Jesus ao Colo de Madalena

 

Jesus expira, o humilde e grande obreiro!...

Sobem já, pela cruz acima, escadas;

E nos cravos varados do madeiro

Batem os malhos, cruzam-se as pancadas.

 

Ouve-se o choro em torno. — As mãos primeiro,

Inertes, caem no ar dependuradas;

A fronte oscila; arqueia o tronco inteiro

Nos braços das mulheres desgrenhadas.

 

Soltam-se os pés. — Aumenta o pranto e a queixa.

Só Madalena ao oiro da madeixa

Limpa-lhe a face, que de manso inclina.

 

E no meio da lágrima mais linda,

Com o dedo erguendo a pálpebra divina,

Busca ver se Ele a vê... beijando-o ainda!...

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

Comments