Em Seu Livro

 

Ela andou por aqui; andou. Primeiro,

Porque há traços de suas mãos; segundo,

Porque ninguém, como ela, tem no mundo

Este esquisito, este suave cheiro.

 

Livro, de beijos meus teu rosto inundo,

Porque dormiste sob o travesseiro

Em que ela dorme o seu dormir, ligeiro

Como um sono de estrela em céu profundo.

 

Trouxeste dela o odor de uma caçoula,

A luz que canta, a mansidão da rola

E esse estranho mexer de etéreos ninhos...

 

Ruflos de asas, amoras dos silvedos,

Frescuras d'água, sombras e arvoredos

Dando seca aos rosais pelos caminhos...

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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