Capricho de Sardanapalo

 

"Não dormi toda a noite! A vida exalo

Numa agonia indômita e cruel!

Ergue-te, ó Radamés, ó meu vassalo!

Faço-te agora amigo meu fiel...

 

Deixa o leito de sândalo... A cavalo!

Falta-me alguém no meu real dossel...

Ouves, escravo, o rei Sardanapalo?

Engole o espaço! É raio o meu corcel!

 

Não quero que igual noite hoje em mim caia...

Vai, Radamés, remonta-te ao Himalaia,

Ao sol, à lua... voa, Radamés,

 

Que, enquanto a branca Assíria aos meus pés acho,

Quero dormir também, feliz, debaixo

Das duas curvas dos seus brancos pés!..."

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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