Alma Viúva

 

És uma alma viúva e perturbada:

Foi-te a paixão um vento de passagem,

Que indo, lançou do céu na tua imagem

Luxos da noite e jóias da alvorada.

 

A flor de amor, macia e perfumada,

Não foi de oásis, foi de uma miragem;

Anda por ti, como um rumor de aragem

A um rosal, que deu rosas, pendurada.

 

Teu negro olhar... o teu olhar esconde

Lasciva flauta de dois tubos, onde

Pã tocara, cantando a selva em coro.

 

Dentro, o desejo, como instável onda,

Dorme fremendo, quando alguém o sonda,

Como um leão ao sol nas garras d'ouro.

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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