A Luiz de Camões

 

Devias ter colhido estrelas luminosas
Para fazer o fogo enorme e criador,
E o bronze preparar das formas grandiosas
Da estátua do feroz e horrendo Adamastor.

 

Devias ter bebido às curvas graciosas
Do céu o leite doce e cheio de vigor,
Que sai dos seios nus das cintilantes rosas,
Para pintar Inês - a pérola do amor.

 

Devias ter sorvido as lágrimas da aurora,
Para a Vênus gentil pintar, quando ela chora
Perturbando no Olimpo os deuses imortais.

 

Mas para encher de sóis teu canto imorredouro
Devias ter roubado ao Deus a pena d'oiro,
Com que ele pinta o azul a traços colossais.

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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