A Deusa

 

O seu pescoço esplêndido e robusto

Implantado às espáduas fortemente,

Presta-lhe um ar olímpico e imponente;

De Vênus dá-lhe gesto altivo e augusto;

 

E sustém-lhe a cabeça bela: é justo,

Porque dos deuses vem; e se presente

No andar, na voz, no riso negligente:

Mete em tudo, que a cerca, estranho susto:

 

Tão grande e superior ela parece,

Que não é muito a admiração e o espanto:

Segue-se ao espanto o amor, ao amor a prece.

 

És tu, Helena, a deusa, o enleio, o encanto:

É de ti, que em mim só, todo um céu desce:

A ti meus olhos, como a um céu, levanto...

Autor: Luís Delfino (1834-1910)
Editado por: nicoladavid

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