Vivo, desvivo: assim me afogo e ardo

 

Vivo, desvivo: assim me afogo e ardo,
Em grande frio extremo calor sustento:
O meu viver é demais árduo, ou lento.
Vem-me alegria em meio de algum fardo:

Logo me rio e súbito entristeço,
E no prazer grande tormento aturo:
O meu bem foge, para sempre seguro:
Ao mesmo tempo murcho e reverdeço.

Assim Amor inconstante me leva:
E quando julgo estar em maior pena,
Sem perceber libertei-me da treva.

Quando então sinto a alegria plena,
E sinto a sorte ansiada que perdura,
Devolve-me o Amor à desventura.


Autor: Louise Labé (1524-1566)
Editado por: nicoladavid

Comments