Rostos

 

Baralho a contragosto

Como cartas os rostos,

E todos me são caros.

Às vezes algum tomba,

Inútil procurá-lo.

Desaparece a carta.

Nada sei a respeito.

Entretanto era um rosto

Que eu amava, e tão belo.

Baralho as outras cartas.

O inquieto do meu quarto,

Ou seja, o coração,

A arder continua,

Não já por essa carta,

Por outra em seu lugar.

É um novo semblante.

E o baralho, completo,

Mas sempre desfalcado.

Eis tudo quanto sei,

E ninguém sabe mais.

Autor: Jules Supervielle (1884-1960)
Editado por: nicoladavid

 
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