"Cantiga do Fogo e da Guerra"



Há um fogo enorme no jardim da guerra

E os homens semeiam fagulhas na terra

Os homens passeiam co´os pés no carvão

que os Deuses acendem luzindo um tição



Pra apagar o fogo vêm embaixadores

trazendo no peito água e extintores

Extinguem as vidas dos que caiem na rede

e dão água aos mortos que já não têm sede



Ao circo da guerra chegam piromagos

abrem grande a boca quando são bem pagos

soltam labaredas pela boca cariada

fogo que não arde nem queima nem nada



Senhores importantes fazem piqueniques

churrascam o frango no ardor dos despiques

Engolem sangria dos sangues fanados

E enxugam os beiços na pele dos queimados



É guerra de trapos no pulmão que cessa

do óleo cansado que arde depressa

Os homens maciços cavam-se por dentro

e o fogo penetra, vai directo ao centro

 

 

Autor:  José Mario Branco
Editado por: nicoladavid

 

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